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A forma como os nossos pais dividiam (ou não) as tarefas, bem como as suas estratégias de educação para o trabalho doméstico têm alguma influência na forma como nós, no futuro, vamos lidar com estas questões. Em vossa casa era mais à moda do Rodrigo, ou do Mário?

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“[Nenhum dos irmãos ajudava, colaborava...] As minhas irmãs ajudavam. [As raparigas?] Nós não. [Então estou aqui a notar uma certa...] Completamente. Sim, uma diferença. Completamente, principalmente pela minha avó. A minha avó ainda é viva, mas era muito machista, completamente machista. Mais machista que a maior parte dos homens que eu conheço. E sofreu as passas do Algarve com o meu avô, porque o meu avô era um mulherengo terrível, mas ela pensava de um certo modo... As minhas irmãs tiveram uma educação, obrigadas a ajudar em casa nas lidas. [O Rodrigo e o seu irmão, nada.] Éramos uns príncipes, completamente.”

 

Rodrigo, 39 anos, divorciado, licenciatura, advogado

 

 

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 “Sei cozinhar, sei passar, tudo! A única coisa que eu não gosto é estender roupa. A coisa mais simples, mas eu não gosto, atrofia-me. Sei passar a ferro, só não sei fazer grandes cozinhados. Pronto o básico, arroz, salsichas, esparguete. Invento. (…) A minha mãe sempre me ensinou [a cozinhar], para um dia mais tarde se fosse morar sozinho não ir comer comidas ao Mac ou cenas assim. (…) Cozinhar, passar a ferro, lavar a casa de banho, tudo e mais alguma coisa. (…) [A tua irmã também faz tudo lá em casa? E o teu irmão mais velho?] Todos sabem fazer. A gente arrumávamos, chegávamos ao sábado e cada um tinha uma tarefa para arrumar a casa toda. Um aspirava, outro lavava a casa de banho. (…) O meu pai também sabe fazer tudo mas não faz. Ele trabalha, só ao domingo é que está de folga.”

 

Mário, 21 anos, solteiro, sem namorada, 9º ano, empregado de mesa

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Moda masculina

14.12.14

 

 

Na minha tese de doutoramento desenvolvi uma tipologia que pretende caracterizar as escolhas dos homens em termos de indumentária, mas na verdade é unisexo. Identifica-se com alguma?

 

A roupa com classe permite evidenciar uma condição social, sendo comum entre quem por ela opta a fidelização a determinadas marcas e a sobriedade em relação aos acessórios. Esta é a roupa de eleição dos homens com origem sociais mais desfavorecidas e protagonistas de trajetórias de mobilidade social ascendente, os quais se servem da roupa enquanto emblema de distinção social na recém-chegada a uma nova classe social. Aderir àquilo que se considera ser o código de indumentária de determinada classe social, a que se pertence ou aspira pertencer, passa por uma estratégia de integração.

 

A roupa invisível veste os homens com origens de classe mais favorecidas, os quais tendem a optar pela discrição em termos de cores, modelos e marcas. Aliás, o objectivo de uma imagem assim produzida é exatamente a de dar a ver um corpo masculino mais “natural”, de quem não atribui importância à aparência, à imagem ou à moda, mas antes investe o seu tempo e dinheiro em capital cultural.

 

A roupa com estilo pretende ser transgressora em relação ao imaginário masculino/feminino. São comuns os decotes, as calças rasgadas, as cores garridas, os acessórios, fazendo lembrar as passarelas dos desfiles de moda ou alguns ícones mais mediáticos distintos pela exuberância da sua roupa. Não é fácil categorizar socialmente estes homens, sendo que a maioria se localiza nas classes médias e possui níveis de escolaridade intermédios.

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