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Defender a igualdade de direitos entre homens e mulheres não significa desejar o fim das diferenças entre eles. Não significa desejar que cresçam pénis às mulheres e ovários aos homens. Não significa desejar que os homens comecem a maquilhar o rosto e as mulheres a deixar o buço crescer. Não significa desejar que as mulheres assumam todos os cargos de poder do mundo e que os homens fiquem relegados para a esfera doméstica, dedicando-se à arte dos doces e do tricot.

 

Aliás, eu não acredito que o mundo fosse melhor só pelo simples facto de termos mulheres a comandá-lo. Não acredito que as mulheres, em abstracto, sejam melhores pessoas ou mais capazes do que os homens. Haverá algumas intelectualmente excepcionais, fisicamente resistentes, artisticamente dotadas, e outras não, tal como acontece com os homens.

 

O que eu desejo, em termos de igualdade, é uma coisa bem diferente. Eu anseio pelo dia em que uma vagina no meio das pernas não seja constrangimento ou impedimento para seja o que for. E que os melhores ocupem os lugares decisivos na história da humanidade, homens ou mulheres pouco me importa. Se o presidente de um país usa ou não sutiã, não tem interesse. Se o/a CEO da maior multinacional à face da terra pode, ou não, gerar uma criança no seu ventre, isso nada dirá das suas competências e capacidade de liderança. O mesmo se pode dizer do líder espiritual de um povo.

 

Bem sei que muitas pessoas anunciam a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres como algo obsoleto, na medida em que consideram que isso já faz parte da realidade do séc. XXI. Quanto a mim, esse discurso é perigoso porque nega todos os problemas que as mulheres ocidentais enfrentam e vão continuar a enfrentar por esse 2015 a fora. Salários mais baixos do que os homens, sobrecarga de trabalho doméstico, dificuldade acrescida de progressão na carreira, violência doméstica

 

Do lado dos homens nem tudo são flores, desenganem-se. Pensar a igualdade entre os géneros implica, também, pensar o modo como os homens são negativamente afectados pelo sistema patriarcal. Por exemplo, em situações de confronto armado entre os países são os primeiros a morrer nos campos de batalha. Em caso de divórcio é-lhes muitas vezes recusada a guarda dos filhos pelo simples facto de serem homens. Em caso de sofrimento e depressão é-lhes socialmente negada a expressão de sentimentos. “Os meninos não choram”, é-lhes dito desde o dia em que nascem.

 

Creio que o futuro próximo não traz pénis para as mulheres e ovários para os homens, mas seguramente maior igualdade entre eles. A mudança está em curso e parece-me que é irreversível, para bem de todos.

 

*Publicado em Público

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