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Chegados ao ano de 2015, em pleno século XXI, podemos celebrar aquilo que deve ser considerado uma conquista masculina, um verdadeiro marco na história da luta pela igualdade de direitos entre os géneros. Finalmente, os homens ocuparão cerca de um terço dos lugares do Parlamento Português, na próxima legislatura. Serão 76 homens para um total de 230 lugares! Por cada três deputados, um será homem! Não é fantástico!?

 

Recordemos que os homens podem exercer o direito ao voto, de forma plena, há pouco mais de quatro décadas em Portugal. Desde essa altura tem aumentado gradualmente a sua representatividade nos órgãos de poder político. Ao mesmo tempo, tem aumentado igualmente o número de homens em cargos de chefia ou mesmo nos lugares de topo das empresas nacionais. Também na vida privada, por exemplo, se registam níveis de partilha das tarefas domésticas mais equitativos.

 

Já lá vai o tempo em que os homens precisavam da autorização das suas esposas para sair do país, ou mesmo para trabalhar! A igualdade entre homens e mulheres já não é uma miragem, mas sim uma realidade que se aproxima a passos galopantes…

 

Como em qualquer assunto, o consenso nesta matéria não é total. Há quem olhe para esta evolução e se regozije com as crescentes conquistas masculinas, mas há também quem ainda se revolte com o actual estado das coisas. Esse é o caso dos defensores mais acérrimos dos direitos dos homens, para os quais estas mudanças são insuficientes – vamos nomeá-los de masculinistas. Não deixando de reconhecer que se tem caminhado para uma situação de maior equilíbrio e que os homens têm hoje mais direitos do que alguma vez tiveram nas sociedades ocidentais, os masculinistas consideram que estes avanços acontecem a uma velocidade muito reduzida.

 

Os masculinistas são homens e mulheres com uma visão atenta e bastante crítica em relação à realidade social, nunca deixando de questionar o que se passa à sua volta. Como é possível que, havendo hoje mais homens do que mulheres com qualificações escolares superiores, elas continuem a dominar o mercado de trabalho? Porque é que grande parte dos homens ainda vive sobrecarregada com as tarefas domésticas e a educação dos filhos?

 

Eu declaro-me uma masculinista convicta, ainda que reconheça as inúmeras conquistas que os homens portugueses têm conseguido ano após ano. Talvez esteja para breve um homem primeiro-ministro ou um presidente da república! Quem sabe o que o futuro nos reserva?

 

* Publicado em Público

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Costumo fantasiar sobre muitas coisas, como a maior parte das pessoas, acredito. Imagino-me em sítios idílicos, a viajar, comer ostras, beber um bom copo de vinho e outras coisas boas que fazem bem à alma e não são para aqui chamadas.

 

Também costumo sonhar com situações em que consigo, heroicamente, dar cabo dos maus e salvar os bons! Por exemplo, perante um assalto, agarrar o ladrão e imobilizá-lo com apenas uma mão. Este é talvez um clássico com que muitos se poderão identificar.

 

Fantasio sobre a minha condição de heroína não só quando estão em causa furtos materiais, mas também em relação a situações em se viola a dignidade das pessoas. É isso que acontece quando um desconhecido me dirige a palavra na rua para dizer coisas mais ou menos ordinárias e inconvenientes. Perante este tipo de abordagens indesejadas de homens a comentar o meu aspecto físico e insinuar desejo ou atracção sexual, costumo imaginar que, em vez de me remeter ao silêncio e acelerar o passo, os enfrento com o olhar e lhes dirijo algumas palavras azedas. Nas fantasias mais hardcore perco o bom-senso e toda a compostura, seguro-os pelo braço e faço uso de vários palavrões para manifestar o meu desagrado. Imagino-me a dizer coisas do tipo “ó meu grande ***, conheço-te de algum lado para me dirigires a palavra?!”. Para bem da minha integridade física este diálogo nunca ganhou vida, mas digam lá se não gostavam de ver a reacção do ofensor?

 

O cenário piropeiro mais agreste caracteriza-se por uma rua vazia e escura, um olhar agressivo, uma linguagem corporal intimidatória, um tom de voz provocatório, ingredientes ideais para deixar qualquer pessoa desconfortável e ansiosa. O cenário pode ser mais suave, mas não é por isso que um piropo passa a ser menos insultuoso – deixa apenas de ser tão aterrador. Sei que este tipo de agressões verbais fazem parte do dia-a-dia de muitas mulheres, as quais, tal como eu, optam pelo desfecho menos heróico mas fantasiam muito a esse respeito.

 

A gravidade dos piropos advém do facto de estes constituírem uma manifestação de dominação masculina, um mecanismo de promoção de insegurança das mulheres nos espaços públicos e de objectivação dos seus corpos. A quem gosta de minimizar os piropos ou ridicularizar as objecções que lhes são feitas, só posso dizer que o machismo está presente em várias camadas da vida em sociedade e todas têm a sua importância. Reflecte-se nas desigualdades salariais, mas também nas pequenas coisas do dia-a-dia, tais como um homem dizer a uma desconhecida “Se cair, já sei onde me agarrar!”… Este piropo foi retirado do vídeo promocional que a RTP exibiu a propósito das comemorações da implantação da República Portuguesa. Parece mentira, mas infelizmente é verdade. 

 

* Publicado em Público

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