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Se eu fosse homem e pai certamente não votaria na coligação Portugal à Frente, nas próximas legislativas. No meu caso, sendo mulher e trabalhadora, sinto-me embrutecida pelo discurso de Passos Coelho e Paulo Portas e, por isso, não lhes vou dar o meu voto também.

 

Estes dois senhores, cada um à sua maneira, em plena campanha eleitoral, menosprezaram os pais portugueses e enalteceram a imagem da mulher doméstica de outrora.

 

Passos Coelho anunciou há dias uma medida estupenda para aumentar a taxa de natalidade que, de tão má, nem sequer me arrancou a gargalhada do costume. O plano do PSD para reverter a descida da taxa de natalidade passa por majorar a reforma das mães. Portanto, as ajudas vão chegar quando os filhos já forem adultos e os homens são simplesmente apagados da equação familiar.

 

Aos pais que passam as noites em claro a cuidar dos seus filhos, que lhes mudam as fraldas, que os ajudam a estudar, que os levam ao hospital, que os tratam quando estão doentes, que lhes dão carinho quando estes mais precisam, Passos Coelho dá o quê? Nada! Rien de rien!

 

Este tipo de propostas dizem muito da forma como a coligação encara a parentalidade, bem como da sua incapacidade para estimular a renovação das gerações. Numa época em que os pais estão cada vez mais empenhados nos cuidados e educação dos seus filhos, os governantes deste país apresentam-se em contraciclo, ignorando por completo as profundas mudanças sociais que os homens portugueses têm protagonizado a este nível.

 

Por sua vez, Paulo Portas, numa espécie de elogio envenenado às mulheres, afirmou que, caso estas tivessem tido maiores responsabilidades de governação a situação do país seria hoje muito melhor, graças às suas competências de gestão das contas domésticas. Neste caso, o discurso da coligação empurra as mulheres de volta para a esfera privada, quando as próprias reclamam para si mais igualdade de direitos e acesso pleno à esfera pública, através do trabalho e maior participação política.

 

Ainda a propósito deste elogio envenenado do actual vice-primeiro-ministro questiono-me, se as mulheres são assim tão boas por que tem a coligação dois homens à cabeça!? Por que é que a maior parte dos candidatos da lista PSD/CDS PP são igualmente homens? Boas, mas nem tanto, não é Paulo Portas?

 

O discurso eleitoral destes dois senhores é bem revelador da forma tradicional e obsoleta como a coligação de direita representa os homens e mulheres portugueses. Com este Portugal à Frente só posso imaginar o país a andar para trás…

 

* Publicado em Público

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Empresas-cegonha

14.09.15

 

 

O Estado tem a responsabilidade de desenhar e implementar políticas públicas que conduzam a um aumento efectivo e urgente da taxa de natalidade portuguesa. Mas não é só ao Estado que cabe a condução da mudança. As empresas, por exemplo, têm também um papel muito importante a desempenhar a este nível. E, a meu ver, algumas fazem-no muito bem.

 

Há empresas que celebram e incentivam a natalidade e isso deixa-me confiante num futuro melhor. Conheci uma de perto e deixo-lhe aqui um elogio público, o qual também pode ser lido como um guia de boas práticas. Acredito que há outras empresas como esta em Portugal, eventualmente até mais proactivas nesta matéria, mas sei, todos nós sabemos, que há muitas outras que deixam bastante a desejar a este respeito.

 

Quanto à questão da parentalidade esta empresa comporta-se mais ou menos assim:

 

Celebra o nascimento dos filhos dos colaboradores através de uma comunicação interna que segue para todos, em jeito de parabéns à nova mãe ou pai.

 

Brinda os recém pais com um cabaz de produtos necessários aos primeiros cuidados com os bebés.

 

No Natal, para além de presentear os colaboradores, oferece também um atractivo presente a cada um dos seus filhos. Confesso que nesses momentos desejei ter uma extensa prole.

 

No dia da criança esta empresa organiza uma festa para as crianças e os filhos dos colaboradores são convidados a aparecer.

 

As regalias que compõem o pacote remuneratório dos colaboradores podem contemplar uma comparticipação na mensalidade do colégio dos filhos, bem como um seguro de saúde para os mesmos.

 

Estes são algumas das boas práticas que a meu ver criam um clima organizacional pró-natalidade. Para além destas medidas mais institucionais, foram vários os sinais que colhi no mesmo sentido. Vi colaboradoras grávidas serem promovidas e era habitual os pais levarem as crianças passar um dia ao escritório, por exemplo. Eu própria sofri na pele esta cultura pró-natalidade. Com alguma frequência, os meus superiores hierárquicos faziam uso do humor para ardilosamente insinuar que estava na altura de eu ser mãe, que o meu relógio biológico estava a dar horas e outros blá-blá-blás parecidos que me davam conforto para avançar com esse projecto.

 

Apesar do aumento do número de nascimentos, recentemente noticiado, ainda temos muito a fazer enquanto sociedade. As empresas podem seguir este caminho que irão, seguramente, na direcção certa!

 

* Publicado em Público

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Algumas pessoas continuam a associar de forma linear a gestão doméstica às mulheres.

Mas fazê-lo em campanha política é estúpido, não é?

 

Enquanto não se "arrumar" o caso dos submarinos vamos continuar a ouvi-lo por aí...

 (não resisti)

 

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Homofobias

07.09.15

 

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Antes de criar o Homem, Deus criou os peixes transexuais. Pelo menos é o que consta na Bíblia. Primeiro a vida na água e depois a vida na terra.

 

Num recente passeio de barco com um biólogo marinho descobri que trocar de sexo é mais natural do que pintar o cabelo ou as unhas. Quando ouvimos alguém dizer que a transexualidade é uma aberração ou algo que contraria a natureza, podemos “atirar-lhe à cara” com uma Garoupa, uma Salema ou uma Veja sem remorsos.

 

Dito de um modo bastante simplificado (que me perdoem os biólogos marinhos pela falta de precisão terminológica), descobri que as Garoupas e as Vejas fêmeas, na falta de machos nas redondezas, podem trocar de sexo para assim fecundar as suas amiguinhas que se mantiveram fêmeas. Já no caso da Salema é o contrário que se passa, pois alguns machos acabam por se transformar em fêmeas ao longo da vida. Isto acontece aqui bem perto de nós nas águas da Macaronésia e um pouco pelo resto do mundo, posso imaginar.

 

As espécies de peixes que mudam de sexo são, pelos vistos, imensas, fiquei a saber. Dependendo das especificidades associadas ao processo, estas espécies podem ser classificadas, de forma inócua, como protândricas, protogínicas, diândricas… Os homens e mulheres na mesma situação são catalogados como transexuais e, ao contrário dos peixes, não consegue mudar de sexo sozinhos. Ao invés, têm de aguardar anos por uma cirurgia de mudança de sexo que pode nunca vir a acontecer.

 

Como compreender porque Deus não deu ao Homem aquilo que deu aos peixes? Cá para mim ao sexto dia, e depois de uma grande torrente criativa, Deus já estava um pouco cansado…

 

Resumindo a matéria dada em jeito de silogismos:

 

1) Deus criou os peixes antes de criar o Homem, ainda de cabeça fresca, pleno de poderes e cheio de criatividade.


2) Várias espécies de peixes foram brindados com a capacidade de mudar de sexo.

 

Logo:

 

3) Se Deus criou os peixes e os peixes mudam de sexo, mudar de sexo é uma dádiva divina!


4) Se encontramos na natureza animais que mudam de sexo, mudar de sexo é natural!


Da próxima vez que comerem filetes de Garoupa com arroz de tomate, reflictam sobre isto.

 

*Publicado em Público

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