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Tal como nas mais diversas esferas da vida, também em relação à sexualidade se podem apontar diferenças entre homens e mulheres. Diferenças ao nível das práticas e ao nível dos valores. Não é que eles sejam de planetas diferentes, uns de Marte e outros de Vénus…  Na verdade, o planeta é o mesmo, apenas muda a anatomia e a forma como aprenderam a fazer uso dela. Virtualmente, o prazer e apetite sexual podem ser os mesmos, mas na realidade não são.

 

Por exemplo, os homens iniciam-se sexualmente mais cedo do que as mulheres. Pelo menos é o que eles dizem. Dados de um questionário recente à população portuguesa, publicados no livro Sexualidades em Portugal, revelam que mais de metade dos homens perdeu a virgindade antes dos 17 anos, enquanto apenas 35% das mulheres deram a mesma resposta. Bem, se fizermos algumas contas de cabeça depressa percebemos que, ou os homens mentiram, ou então a maior parte foi para a cama com mulheres mais velhas. Eu aposto na primeira hipótese. Homem que é homem perde a virgindade cedo e vai para a cama com muitas mulheres! Se assim não for, pode sempre mentir-se.

 

Mas não é só a idade que é diferente, também as experiências o são. Mais do que as mulheres, os homens iniciam a sua vida sexual fora do contexto de uma relação amorosa relativamente estável. Ou seja, enquanto elas perdem a virgindade com o namorado de longa data, eles, não raro, têm a primeira relação coital com uma amiga colorida ou no seio de uma relação mais esporádica.

 

A verdade é que muitos homens vivem a virgindade como um estigma do qual tentam desfazer-se o quanto antes e, pelo contrário, é comum entre as mulheres “guardar-se” a virgindade como um atributo, como algo que valoriza a pessoa.

 

Para a mulher o estigma é outro. Para as mulheres, ter muitos parceiros sexuais é visto como um indicador de falta de seriedade moral. Delas se espera que sejam reservadas e contidas. Se assim fosse, com quem teriam eles relações sexuais? Mais uma vez as contas não batem certo. Pelos vistos a moralidade tem dificuldades com a matemática.

 

Se o problema é ter muitos parceiros, para as mulheres com um líbido desenvolvido a solução é uma só. Masturbação. Ou, talvez, também a esse nível existam restrições… Se bem me lembro, tinha eu os meus 15 anos e recordo-me de ouvir os meus colegas de escola gabarem-se das sessões de masturbação que faziam em grupo, na casa de um deles, enquanto assistiam a filmes pornográficos. Entre as miúdas nem uma palavra sobre o assunto. Apenas os risinhos envergonhados de sempre. Se o faziam, como eles, não era em grupo e não falavam sobre isso.

 

Até que ponto a realidade está a mudar? Sabe-se que quanto menos tradicional for o contexto, menos real será este retrato. Prova disso é o facto de nas gerações mais jovens a idade à primeira relação coital ser cada vez mais próxima. Pornografia feita a pensar em mulheres também já existe, graças a Anna Span, segundo a qual women love porn!

 

*Crónica publicada no Público

 

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