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Jackpot parental

17.07.17

Cá em casa é assim! Mãe é mãe e pai é pai. Os nossos papéis de pais não se complementam porque não são diferentes. São equivalentes.

 

Claro que cada um de nós, eu e o Frederico, temos formas diferentes de fazer determinadas coisas, diferentes modos de embalar a Mariana, por exemplo, mas a dedicação e a capacidade de cuidar da nossa filha é igual. É assim porque o pai, tal como eu, faz questão de assumir todas as responsabilidades decorrentes da decisão de ter uma filha. 

 

Felizmente, nesta matéria, o Frederico não é uma raridade, e cada vez mais os homens são pais assim, a 100%. Esta é uma das grandes transformações sociais das últimas décadas, na esfera familiar. 

 

À Mariana saiu o JACKPOT :D

 

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Hoje tive a felicidade de descobrir o projecto Papai Comédia, do humorista brasileiro Fernando Strombeck. Nas palavras do próprio, trata-se de "relatos de um humorista exercendo a paternidade ativa". Eu achei delicioso!!!

 

Por contraponto à enorme quantidade de blogs e afins de mães (e ainda bem, é óptimo), é muito bom acompanhar vivências da parentalidade no masculino e, ainda por cima, com humor!

 

Neste episódio, o Fernando conta-nos como correu o seu passeio com a filha e sem a mãe.

Aqui por casa, o pai também já deu alguns passeios com a Mariana a dois e correram muito bem ;)

 

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 Eu, a fofa que está ao meu colo e o borracho atrás da objectiva!

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Ter filhos sempre esteve nos meus planos, ainda que em estado latente durante muito tempo. Quero ter dois ou três, mas depois do primeiro nascer logo vos digo com que fulgor mantenho esta aspiração. Mas este plano é totalmente diferente de outros que levei a cabo, por ser inteiramente partilhado e vivido a dois. Decidi sozinha muitas coisas na vida, arcando com as consequências all by myself, mas neste caso não. É como se os dois estivéssemos grávidos!

 

Se não tivesse um homem ao meu lado tão ou mais empenhado no projecto de ser pai como eu estou em ser mãe, não me imaginaria com coragem para entrar no estonteante carrocel da maternidade. Apesar da inexperiência, uma coisa eu sei: depois de pagar o bilhete e de me sentar, o carrocel nunca mais vai parar de girar!

 

– Ó senhor do carrocel, deixe-me sair um bocadinho, vou ali descansar uns dias e já volto! Estava a pensar num hotel daqueles onde não entram bebés, com piscina em cima do mar e pulseirinha no pulso. Talvez um spa…

 

– Desculpe minha senhora, pagou para andar, agora não pode sair. E toca a mudar a fralda que já cheira a cocó! O carrocel só pára para deixar entrar mais crianças. Quer avançar para o segundo?

 

Mediante esta particularidade do carrocel da maternidade resta-me mesmo partilhar as voltas com o pai. E eu sou daquelas que vai partilhar tudo!!! A minha generosidade não terá limites, prometo isso ao pai. Isto porque considero que apenas vou desfrutar mais da maternidade se deixar o pai gozar a sua metade por inteiro. Com todas as coisas boas e menos boas que essa divisão possa implicar. Agradeço, portanto, a chegada desta nova geração de pais totalmente empenhados na questão da parentalidade.

 

Penso agora nalgumas pessoas que teimam em dizer que ser mãe é diferente de ser pai, no sentido de ser mais especial ou de estas serem capazes de estabelecer uma relação mais forte com as crianças. Recordo uma colega de trabalho que dizia cheia de orgulho, com a mão a bater no peito, que seria incapaz de deixar a filha doente em casa com o pai e ir trabalhar… Já eu agradeço ter ao meu lado um homem de mangas arregaçadas para quando isso for necessário. Estando grávida, até agora a única diferença que identifico entre a minha experiência e a do pai da criança é uma forte obstipação. De resto, temos vivido tudo de igual forma. Até a barriga de ambos está a crescer a uma velocidade semelhante. Por isso, Frederico, mais vale assumires que estás grávido de uma vez por todas.

 

Pronto, a parte das mamas também é diferente.

 

*Publicado em Público

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Pai é pai!

10.05.16

 

Existem expressões que muitos consideram inofensivas, ou mesmo enternecedoras, que a mim me tiram do sério. Provocam-me desconforto. Espalham injustiça. “Mãe é mãe” é uma delas. “Irmão é irmão”, “pai é pai”, e podia continuar durante páginas, possuem igual valor semântico e nunca ouvimos alguém dizê-lo, pois não?

 

Mas o que significa tal afirmação? Que quer ela realmente dizer?

 

Eu percebo que a expressão quer enaltecer a especial ligação que em muitos casos se estabelece entre mães e filhos, mas essa ligação, ao contrário do que a afirmação indicia, não é um dado adquirido. Não é uma verdade de La Palice! Há quem argumente que “mãe é mãe” porque foi ela que carregou a criança no ventre durante meses e isso mais ninguém o faz. Totalmente verdade, mas isso não é uma garantia da tal relação especial que progenitora e cria podem vir a desenvolver. Essa tal relação de afecto, de amor incondicional, depende de cuidados e carinho permanentes ao longo de anos. E se “mãe é mãe” por isso, podemos afirmar sem medo ou culpas que “pai é pai” exactamente pelos mesmos motivos.

 

Você aí que está a levantar o dedo acusador, tenha calma! Não quero com este texto tirar qualquer valor ao facto de as mulheres carregarem os filhos durante meses dentro do seu próprio ventre, ou os parirem por vezes a muito custo ou, ainda, lhes poderem fornecer o sustento nutricional essencial aos primeiros tempos de vida. Isso é louvável. O que eu quero dizer com este texto é que isso não garante que a mãe venha a desenvolver uma relação com os filhos que não possa ser igualada pela ligação que também os pais com eles estabelecem.

 

Bem sei que, por regra e com mais evidência em gerações anteriores à minha, as mães tendem a assumir um papel predominante na vida das crianças, o que se reflecte numa relação de empatia e afinidade emocional que muitos pais não conseguem ou nem tentam igualar. Esse é o retrato grosseiro que podemos fazer das relações parentais. Mas se olharmos mais de perto podemos ver emergir um batalhão de pais que estão lá todos os dias disponíveis para mudar a fralda, embalar, cuidar, vestir, levar à escola, ajudar nos TPC, incentivar, ouvir, apoiar… tudo o que é necessário para ganharem o título de “pai é pai”. 

 

*Publicado em Público

 

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Um país incapaz de renovar as gerações, sem crianças, está condenado ao desaparecimento. Literalmente.

 

As pirâmides etárias dos nossos dias são tudo menos pirâmides e na origem desta deformação está o emagrecimento dos escalões etários mais jovens. Portugal, neste contexto, como é mais do que sabido, encontra-se numa posição especialmente difícil. Em 2014, destaca-se como o país com a taxa de natalidade mais baixa de todo o continente europeu (PORDATA). Na corrida para a extinção vamos, portanto, em primeiro lugar! Mas o que fizemos nós, enquanto nação, para merecer tomar a dianteira nesta maratona em direcção ao precipício populacional?

 

Os casais portugueses querem ter filhos, vários, isso não é o problema. O que os impede, então? Podemos apontar vários factores, mas há um que se destaca. Digamos que ter um filho representa um desafio orçamental tamanho que muitos casais se ficam pelo primeiro e, apesar de quererem muito sentar dois ou três filhos à mesa, decidem não avançar com esse “investimento”.

 

O tal desafio orçamental ganha significativa expressão mal termina a licença parental e prolonga-se durante um largo período de tempo, até a criança completar seis anos de idade e integrar o 1.º ciclo, universal e "gratuito" (com muitas aspas). Até lá, a maior parte dos pais passa a assumir encargos com creches e infantários que assumem valores muito pesados para os curtos salários nacionais. Uma creche facilmente pode custar mais do que a prestação ou renda da casa. Um infantário, não raro, representa o maior encargo financeiro do orçamento familiar.

 

Para além do preço, a escassez da oferta deste tipo de serviços torna o processo de seleccionar e encontrar vaga numa creche ou infantário um verdadeiro inferno. Mesmo contando com a oferta privada, o nosso país não dispõe de uma rede de prestadores que cubra 100% das necessidades da população. Portanto, o mercado é ironicamente insuficiente para a procura, ela própria em franco encolhimento.

 

Uma das propostas deste Governo é exactamente garantir 100% de cobertura da rede de ensino pré-escolar. O ensino pré-escolar abrange as crianças entre os três e os seis anos. Ficam de fora as demais… A proposta é boa, o alcance curto.

 

Tendo em conta o diagnóstico anterior, torna-se fácil identificar a medida que maior impacto teria na inversão da taxa de natalidade. Um político que queira ficar na história das políticas educativas de Portugal tem aqui uma grande oportunidade. Trata-se de  substituir aqueles cheques de 100 euros por bebé, por uma rede integrada de creches e infantários de cobertura nacional e gratuita. Ou isto, ou uma pirâmide de pernas para o ar…

 

* Publicado em Público

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Bem sei que esta imagem traduz com humor aquilo que se passa em muitas das famílias um pouco por todo o mundo, mas não consigo deixar de ficar incomodada com ela.

 

São as mães que monopolizam a esfera dos cuidados e assistência aos filhos? Ou, são os homens que se esquivam deste tipo de tarefas? Talvez as duas hipóteses sejam verdadeiras.

 

Muitas mulheres dominam a esfera da parentalidade, gerindo, executando e decidindo a maior parte dos assuntos a este respeito. Deixar o pai participar implica abdicar de poder e muitas mulheres não o querem fazer. Noutros casos, são os homens que não se sentem à-vontade neste tipo de domínios da vida. Têm medo de fazer errado ou simplesmente preferem usar o seu tempo de outras formas.

 

O que é certo é que a mudança está a acontecer a grande velocidade. Os estudos sobre a divisão do trabalho doméstico são unânimes a afirmar que é excatamente na esfera da parentalidade que os homens estão mais participativos. Cuidar dos filhos e passar tempo com eles são tarefas que muitos pais fazem tão bem ou melhor que as mães. E ainda bem.

 

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Fala-se por todo o lado das capacidades inatas das mulheres, do sexto sentido, da essência feminina e normalmente não gosto do que oiço. Várias vezes são as próprias que perpetuam esta imagem das mulheres. Neste caso, para além de não gostar fico um tanto ou quanto triste. Vá lá amigas, assim não dá…

 

As pessoas referem-se a atributos que nascem num corpo sempre que este é dotado de um par de mamas (entre outras coisas). Com o par de mamas vêm as capacidades maternas extraordinárias. Estas capacidades são transcendentais e, por isso, estão fora do alcance do comum dos homens (com h pequeno). Elas sabem naturalmente como cuidar dos bebés, ponto final. Para além disso, sabem igualmente cuidar de uma casa e organizar a vida doméstica de forma irrepreensível.  

 

Vou engolir a minha formação em sociologia e todo o blá blá blá que podia despejar neste momento. Em alternativa deixo um apelo às mães e aos pais. Se querem educar as vossas filhas para que sejam mulheres inteligentes e independentes não lhes encham o quarto com brinquedos deste tipo.

trem cozinha

Não me interpretem mal.

 

As crianças gostam de imitar os adultos e por mimetismo se aprende muita coisa. Até aí tudo bem. O problema, do meu ponto de vista, está no elevado nível de condicionamento social. Muitas meninas crescem a brincar com este tipo de brinquedos. É óbvio que mais tarde, em adultas, vão saber lidar de forma “natural” com as tarefas domésticas e, provavelmente, melhor do que a maior parte dos homens. Eles cresceram a jogar à bola e brincar com carros, não foi? Mas porquê continuar a educar meninos e meninas de forma tão diferente? Não queremos um mundo onde homens e mulheres tenham os mesmos direitos e oportunidades?

 

Com tudo isto não quero dizer que as mulheres não devem dedicar-se à cozinha ou à maternidade, por exemplo. Apenas considero que o gosto ou a dedicação deveriam ser mais espontâneos e menos impostos culturalmente.

 

Essa imposição cultural, de resto, tem gerado algumas reacções adversas em muitas mulheres. A este propósito recordo o meu espanto quando uma amiga a viver na Suécia me falou de uma colega, excelente cozinheira, que fazia questão em manter privado o seu gosto pela culinária. A jovem não queria ser vista entre os amigos e colegas de trabalho como uma mulher tradicional que gosta de cozinhar. Fazia umas excelentes sobremesas e depois dizia aos convidados que as comprava na pastelaria do bairro. E esta heim!? Em minha defesa, e depois de todo o discurso anterior, só tenho a dizer que sou uma excelente cozinheira.

 

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