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Duas distintas senhoras encontram-se após um bom tempo sem se verem. Uma pergunta à outra:

 

— Como vão seus dois filhos... a Rosa e o Francisco?

 

— Ah! querida... a Rosa casou-se muito bem. Tem um marido maravilhoso. É ele que levanta de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, faz o café da manhã, arruma a casa, lava as louças, recolhe o lixo e faz a faxina. Só depois é que sai para trabalhar, em silêncio, para não acordar a minha filha. Um amor de genro! Benza-o, ó Deus!

 

— Que bom, heim amiga! E o seu filho, o Francisco? Casou também?

 

— Casou sim, querida. Mas tadinho dele, deu azar demais. Casou-se muito mal... Imagina que ele tem que levantar de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, fazer o café da manhã, arrumar a casa, lavar a louça, recolher o lixo e ainda tem que fazer a faxina! E depois de tudo isso ainda sai para trabalhar em silêncio para sustentar a preguiçosa da minha nora.

 

Fonte: www.piadas.com.br

 

 

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Subo a avenida e passo os olhos pelas montras. Vários cartazes publicitam roupas e acessórios para mulheres. Noto um padrão que nada nos diz sobre a última tendência da moda para o Verão que se aproxima. O que é comum às várias campanhas publicitárias é o facto de usarem imagens que mais parecem ter sido captadas em plena rodagem de um filme pornográfico. A meio não. No início. Antes da acção principal decorrer. As mulheres que exibem as roupas olham com desejo ardente para os transeuntes. Parecem estar seriamente empenhadas em seduzir quem passa.

 

Ora, se não são os homens que usualmente compram as roupas das mulheres, nem a maior parte das mulheres são lésbicas, todo aquele esforço sedutor é para quem? Para quê o decote exageradamente aberto, a boca e o olhar a pedir prazer carnal?

 

As mulheres vestem-se para ir à praia, para ir passear o cão ou a criança, para ir trabalhar, para ir ao supermercado, para ir a uma festa… Porquê centrar as imagens publicitárias no acto da sedução? A sedução é bem-vinda, o amor e a paixão enchem-nos a vida de excitação, mas podemos ter campanhas publicitárias que não se resumam a isso e, principalmente, não resumam as mulheres a isso?

 

A actriz Susan Sarandon afirmou recentemente a sua vontade de realizar filmes pornográficos, uma vez que os que existem estão centrados no prazer do homem ignorando a líbido feminina. Pois na publicidade passa-se a mesma coisa! Porque raio as mais diversas publicidades, desde o anúncio do carro ao dos sapatos, nos inundam com imagens de mulheres altamente empenhadas no acto da sedução, em posições e trejeitos híper erotizados?

 

Identifico, no entanto, dois tipos de anúncios em que as mulheres não nos são apresentadas como um pedaço de carne que se esforça por ser objecto de desejo. Publicidade a produtos para bebés e produtos para a casa. Mas se uma mulher veste lantejoulas e exibe um decote até ao umbigo para vender mobiliário, por que não o há-de fazer para vender umas fraldas? Porque, minhas amigas e meus amigos, a mãe e a dona de casa não são passíveis de ser transformadas em objectos de prazer.

 

Não sei o que é pior, se a excessiva sexualização do corpo feminino, se a completa “dessexualização” da mulher-mãe, mulher-doméstica. Ou bem que as mulheres são representadas como sedutoras natas ou como anjos do lar. A maior parte delas não é uma coisa nem outra, e são essas que compram!

 

* Publicado em Público

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Os estereótipos são um instrumento, por excelência, de compreensão do mundo. Ajudam-nos a arrumar a realidade em caixinhas, facilitam a organização do pensamento, mas ao mesmo tempo limitam a nossa capacidade de ver além das etiquetas que colocamos nas pessoas. A utilidade dos estereótipos termina quando a sua existência representa a negação da diversidade humana.

 

Os estereótipos de género são um bom exemplo de como estes auxiliares do pensamento são simplificações da realidade que não podem ser levadas demasiado a sério. Em termos abstratos o feminino e masculino tendem a ser representados como duas entidades completamente distintas, até opostas. Associamos determinadas características físicas, psicológicas e até intelectuais a mulheres e outras completamente diferentes a homens. As mulheres são mais sensíveis, os homens mais autoritários. As mulheres gostam mais de novelas, já os homens de futebol. As mulheres interessam-se mais por moda e os homens por automóveis. Todos nós conseguimos identificar as características que são associadas a umas e outros, independentemente de concordarmos com essa divisão…

 

Ana é uma mulher com braços de ferro. Nunca trabalhou fora de casa, mas também não encaixa no estereótipo da dondoca. Vive numa grande casa que faz questão de manter a brilhar e para além disso tem a seu cargo ou participa em muitas tarefas fisicamente exigentes. Rachar lenha, matar animais, amassar grandes quantidades de farinha e preparar o forno para cozer o pão são algumas delas. Digamos que a Ana não precisa de um homem para lhe abrir o frasco de doce, a Ana é a pessoa a quem podemos pedir para o abrir quando não o conseguimos fazer.

 

Quando penso na maior parte dos homens que conheço ou com quem me cruzo no meu dia-a-dia, seja no trabalho, no supermercado ou entre o meu grupo de amigos mais chegados, não vejo muitos que conseguissem ganhar um braço de ferro à Ana. Alguns não conseguem abrir o frasco de compota hermeticamente fechado há anos.

 

Os estereótipos são como um desenho grosseirão de uma criança de poucos anos. Conseguimos perceber que está lá uma casa, o sol, as nuvens, mas os tamanhos, as formas, as cores não são reais. Muitas vezes têm elementos ficcionados, como uma porta no meio de uma parede, um animal que não existe.

 

A realidade é bem mais complexa e matizada do que os estereótipos que a representam. A Ana é real. A Ana é uma mulher.

*Publicado em Público

 

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Algumas pessoas continuam a associar de forma linear a gestão doméstica às mulheres.

Mas fazê-lo em campanha política é estúpido, não é?

 

Enquanto não se "arrumar" o caso dos submarinos vamos continuar a ouvi-lo por aí...

 (não resisti)

 

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 *Obrigada à Ana Amaro por me dar a conhecer este vídeo!

 

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Vergonha alheia

07.01.15

Vai Ana Vai, suscita em mim vários sentimentos e reacções. Vergonha alheia, gargalhadas e alguma irritação, são alguns exemplos.

 

Tantos anos de luta pela emancipação das mulheres para, em pleno século XXI, me aparecer uma Ana deste calibre!? Money money money? Ó Ana, vai trabalhar :)

 

 

Do outro lado do oceano temos a sua contemporânea Deize Tigrona, embora com um estilo bem diferente. Qual preferem?

 

 

 

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Viajar enche-me de entusiasmo! Gosto de conhecer outras realidades e dar conta das diferenças culturais dos lugares por onde passo. 

 

Este fim-de-semana fui conhecer Milão e o charmoso Lago de Como. Na mala trouxe esta publicidade que me despertou a atenção pela actualidade. Muitas vezes a publicidade reforça os estereótipos, outras vezes consegue acompanhar a mudança social. 


homem carrinho bebe.jpg

 

 

 

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Fala-se por todo o lado das capacidades inatas das mulheres, do sexto sentido, da essência feminina e normalmente não gosto do que oiço. Várias vezes são as próprias que perpetuam esta imagem das mulheres. Neste caso, para além de não gostar fico um tanto ou quanto triste. Vá lá amigas, assim não dá…

 

As pessoas referem-se a atributos que nascem num corpo sempre que este é dotado de um par de mamas (entre outras coisas). Com o par de mamas vêm as capacidades maternas extraordinárias. Estas capacidades são transcendentais e, por isso, estão fora do alcance do comum dos homens (com h pequeno). Elas sabem naturalmente como cuidar dos bebés, ponto final. Para além disso, sabem igualmente cuidar de uma casa e organizar a vida doméstica de forma irrepreensível.  

 

Vou engolir a minha formação em sociologia e todo o blá blá blá que podia despejar neste momento. Em alternativa deixo um apelo às mães e aos pais. Se querem educar as vossas filhas para que sejam mulheres inteligentes e independentes não lhes encham o quarto com brinquedos deste tipo.

trem cozinha

Não me interpretem mal.

 

As crianças gostam de imitar os adultos e por mimetismo se aprende muita coisa. Até aí tudo bem. O problema, do meu ponto de vista, está no elevado nível de condicionamento social. Muitas meninas crescem a brincar com este tipo de brinquedos. É óbvio que mais tarde, em adultas, vão saber lidar de forma “natural” com as tarefas domésticas e, provavelmente, melhor do que a maior parte dos homens. Eles cresceram a jogar à bola e brincar com carros, não foi? Mas porquê continuar a educar meninos e meninas de forma tão diferente? Não queremos um mundo onde homens e mulheres tenham os mesmos direitos e oportunidades?

 

Com tudo isto não quero dizer que as mulheres não devem dedicar-se à cozinha ou à maternidade, por exemplo. Apenas considero que o gosto ou a dedicação deveriam ser mais espontâneos e menos impostos culturalmente.

 

Essa imposição cultural, de resto, tem gerado algumas reacções adversas em muitas mulheres. A este propósito recordo o meu espanto quando uma amiga a viver na Suécia me falou de uma colega, excelente cozinheira, que fazia questão em manter privado o seu gosto pela culinária. A jovem não queria ser vista entre os amigos e colegas de trabalho como uma mulher tradicional que gosta de cozinhar. Fazia umas excelentes sobremesas e depois dizia aos convidados que as comprava na pastelaria do bairro. E esta heim!? Em minha defesa, e depois de todo o discurso anterior, só tenho a dizer que sou uma excelente cozinheira.

 

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