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Já fui alertada várias vezes para o “perigo” de ser apelidada de feminista. Já fui “acusada”, outras tantas, de ser feminista. Estes alertas ou acusações vêm normalmente da boca de quem considera, de algum modo, o feminismo como algo mau.

 

Cabem neste rótulo, segundo essas concepções, mulheres que querem ser superiores aos homens, mulheres amargas e obcecadas com todas as referências culturais de género, mulheres que querem ser iguais aos homens, imitando os seus comportamentos, mulheres que rejeitam todos os símbolos de feminilidade como, por exemplo, os cuidados com o corpo. Ou seja, mulheres que não se depilam, não se maquilham, não usam roupa justa, saias ou saltos altos.

 

Eu não sou esta feminista.

 

Sou uma feminista que olha atentamente para estas questões e tenta manter-se informada sobre o assunto. Sei que as últimas décadas trouxeram mudanças profundas no que diz respeito às relações entre homens e mulheres, em grande medida sustentadas pela entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho. O desempenho de uma profissão trouxe, efectivamente, autonomia, liberdade e poder de negociação (dentro e fora de casa) a muitas mulheres. Mas também sei que ao nível das desigualdades de género ainda há muita coisa a fazer, nomeadamente aumentar a representação das mulheres nos lugares de decisão, quer no mundo empresarial, quer nas instituições políticas.

 

Sou uma mulher, feminista, que sabe que a igualdade entre os sexos só pode ser pensada e conseguida se incluirmos os homens na equação. Por vários motivos. Porque os homens também sofrem as consequências do sistema em que vivemos, na medida em que, por exemplo, lhes é comummente negada a guarda dos seus filhos. Porque os homens não são os únicos perpetuadores da cultura patriarcal. Algumas mulheres também reproduzem os estereótipos que sustentam as desigualdades de género, como a ideia que elas são melhores na tarefa de criar e educar os filhos do que os pais. Porque, enfim, também existem homens feministas!

 

Sou uma feminista, imagine-se, que gosta de cozinhar, passar horas na cozinha a bebericar vinho e preparar um jantar para amigos ou a fazer panquecas e bolos para o namorado. Sou um pouco obcecada com a limpeza da casa, também. Sou vaidosa, gosto de comprar sapatos e acompanhar as tendências da moda.

 

Como se vê, as diferenças culturais entre homens e mulheres não me incomodam… aliás, sou fruto delas. Considero-me inclusivamente uma mulher, nalguns aspectos, bastante feminina. As desigualdades, por sua vez, chateiam-me e incomodam-me até ao osso, não fosse eu uma Maria Capaz.

 

*Publicado em MariaCapaz

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