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Gosto imenso daqueles jogos para encontrar as diferenças entre duas imagens. Sempre que apanho uma coisa dessas sou incapaz de lhe resistir. Já tive inclusivamente algumas ideias dignas da última página de qualquer jornal. Imaginem uma imagem de um corpo de uma mulher de estatura média e outra, ao lado, de um corpo de um homem da mesma altura. São capazes de encontrar cinco diferenças? Genitais, tamanho dos seios, pêlos no peito, barba… Que mais?!

 

Sim, o corpo dos homens e das mulheres é diferente, mas convenhamos que não é assim tanto como nós o fazemos parecer. Aliás, em bebés são mais as semelhanças do que as diferenças. Quem nunca se enganou no sexo de um bebé, perguntando “que menina mais linda! Como se chama?”; “tem aqui um belo rapagão, quantos meses?” Afinal a menina mais linda chama-se João e o rapagão Alice. Sempre que protagonizo uma situação deste tipo o constrangimento instala-se. Tendencialmente, as pessoas não gostam deste tipo de mal-entendidos. Por isso muitos pais optam pelos rosas ou os azuis para vestir os seus recém-nascidos.

 

À medida que crescemos, a cultura incita-nos a trabalhar para exponenciar as diferenças entre o corpo dos homens e das mulheres, acabando com as dúvidas sobre o sexo de cada um. As incertezas tornam-se, assim, menos constantes. Desde crianças que todos nós, salvo excepções, investimos bastante tempo e dinheiro para tornar o nosso corpo indubitavelmente mais masculino ou mais feminino.

 

As mulheres esforçam-se por eliminar os pêlos do corpo e da face, excepto os cabelos. Esses, pelo contrário, querem-se longos, exigindo uma série de cuidados e escolhas quanto ao look pretendido. Champô, amaciador, máscara hidratante, alisamento, hidratação, madeixas, luzes, tinta, caracóis… Enfim. Por sua vez, os pêlos das pernas, axilas, virilhas e buço (nalguns casos braços, barriga e costas) arrancam-se com cera ou máquina apropriada, descoloram-se, queimam-se com creme, laser ou luz pulsada. As unhas pintam-se com verniz, verniz gel ou gelinho. Também se pinta a rosto com maquilhagem ajustada ao tom de pele. Base, creme hidratante com cor, blush,eyeliner, rímel, sombras… E, certamente, mais produtos cosméticos que desconheço. Quanto à alimentação e exercício físico, as mulheres tendem a conter-se e optar por controlar o desenvolvimento muscular.

 

Os homens, regra geral, fazem o oposto. Não pintam as unhas, não pintam o rosto, não pintam o cabelo, não arrancam os pêlos da face e são, ainda, poucos os que depilam o corpo. A alimentação não costuma ser tão restritiva, comem hidratos de carbono e batatas fritas sem sentimento de culpa. Ao contrário das mulheres, esforçam-se por avolumar a massa muscular e sonham com abdómens “tablete” e braços “dromedário”.

 

Também a roupa e os adereços servem o propósito de diferenciar homens e mulheres. A roupa dos homens costuma ser mais sóbria e menos diversificada. Saias e vestidos estão reservados apenas às mulheres, bem como os saltos altos. A deles tende a ser mais larga e confortável, ao contrário da roupa e calçado femininos. Saias que travam o andar e saltos altos que dificultam a locomoção são ícones distintivos das mulheres. Alguns destes são um pouco desapropriados, convenhamos. Sobretudo o salto alto. Se um alienígena viesse à terra iria seguramente perguntar-se porque é que as mulheres ocidentais andam em cima de “andas”, pondo à prova o equilíbrio a cada passo que dão.

 

Um quiz com imagens de homens e mulheres assim enfeitados seria demasiado fácil. 

 

*Publicado em Público

 

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