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Pedro Arroja é a prova de que podemos exibir vários diplomas escolares na parede do escritório e ser, ao mesmo tempo, intelectualmente desinteressantes. Licenciatura, MBA, passagem pelo estrangeiro e, mesmo assim, cabeça pequena, linguagem vulgar, pensamento machista, visão misógina da espécie humana, mente reaccionária.

 

“As meninas do bloco”, “esganiçadas”, “aqui que ninguém nos ouve (piada!?), eu não queria nenhuma daquelas mulheres nem dada, nem dada!”, “o mais provável é que elas se pusessem contra o marido”, “eu não conseguiria com elas…construir uma comunidade, uma família”, “com o tempo ia-me [marido] pôr fora de casa”. Este rol de “argumentos” é tão desconcertante que me conseguiu pôr a rir. Podia tratar-se de um diálogo entre concorrentes do programa A Quinta, mas não, trata-se de um economista, desconhecido do grande público, num programa de um canal regional.

 

Imaginem isto ao contrário, ou seja, uma comentadora política a dizer algo semelhante num canal de televisão:

 

- Como avalia a posição do Partido Comunista neste acordo com o PS?

- O velhote do PCP é tão rabugento que não me casaria com ele por nada! Deve ser do tipo de marido que deixa peúgas espalhadas por todo o lado…

 

- O Paulo Portas deve ou não manter a coligação com o PSD?

- O solteirão do CDS-PP é tão carrancudo que seria incapaz de viver com ele! Nem que me pagassem! Faltam-lhe noções de família e partilha!

 

- Passos Coelho termina um mandato de quatro anos. Como avalia a evolução do país?

- O Coelho é muito sisudo e está sempre a reclamar que não o deixam governar! Parece mesmo daquele tipo de homens que bate o pé para ser ele a levar o carro, mas depois dá acidente como se viu…

 

Na ausência de melhores argumentos, Pedro Arroja ataca algumas deputadas do Bloco de Esquerda a partir de uma visão bem tradicional e conservadora das mulheres. Em vez de se restringir às competências técnicas e políticas das deputadas, tece juízos de valor e críticas que põem em causa a sua capacidade de constituir família e viver uma vida conjugal harmoniosa, como se de verdadeiras bruxas se tratassem. O que o Pedro não sabe, porque não vem nos livros de economia, é que o tempo da caça às bruxas terminou. Pessoas como ele recordam-me que, infelizmente, ainda não chegámos lá, à tal igualdade de género que muitas e muitos desejamos.

 

Atrevo-me a deixar-lhe um conselho. Pedro, quando não se tem nada de importante, interessante ou inteligente para dizer, mais vale não dizer nada. Assim, quem não o quer a si por nada, por nada, sou eu. E atrevo-me a dizer que a maioria das portuguesas também não!

 

*Publicado em Maria Capaz

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