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Pai é pai!

10.05.16

 

Existem expressões que muitos consideram inofensivas, ou mesmo enternecedoras, que a mim me tiram do sério. Provocam-me desconforto. Espalham injustiça. “Mãe é mãe” é uma delas. “Irmão é irmão”, “pai é pai”, e podia continuar durante páginas, possuem igual valor semântico e nunca ouvimos alguém dizê-lo, pois não?

 

Mas o que significa tal afirmação? Que quer ela realmente dizer?

 

Eu percebo que a expressão quer enaltecer a especial ligação que em muitos casos se estabelece entre mães e filhos, mas essa ligação, ao contrário do que a afirmação indicia, não é um dado adquirido. Não é uma verdade de La Palice! Há quem argumente que “mãe é mãe” porque foi ela que carregou a criança no ventre durante meses e isso mais ninguém o faz. Totalmente verdade, mas isso não é uma garantia da tal relação especial que progenitora e cria podem vir a desenvolver. Essa tal relação de afecto, de amor incondicional, depende de cuidados e carinho permanentes ao longo de anos. E se “mãe é mãe” por isso, podemos afirmar sem medo ou culpas que “pai é pai” exactamente pelos mesmos motivos.

 

Você aí que está a levantar o dedo acusador, tenha calma! Não quero com este texto tirar qualquer valor ao facto de as mulheres carregarem os filhos durante meses dentro do seu próprio ventre, ou os parirem por vezes a muito custo ou, ainda, lhes poderem fornecer o sustento nutricional essencial aos primeiros tempos de vida. Isso é louvável. O que eu quero dizer com este texto é que isso não garante que a mãe venha a desenvolver uma relação com os filhos que não possa ser igualada pela ligação que também os pais com eles estabelecem.

 

Bem sei que, por regra e com mais evidência em gerações anteriores à minha, as mães tendem a assumir um papel predominante na vida das crianças, o que se reflecte numa relação de empatia e afinidade emocional que muitos pais não conseguem ou nem tentam igualar. Esse é o retrato grosseiro que podemos fazer das relações parentais. Mas se olharmos mais de perto podemos ver emergir um batalhão de pais que estão lá todos os dias disponíveis para mudar a fralda, embalar, cuidar, vestir, levar à escola, ajudar nos TPC, incentivar, ouvir, apoiar… tudo o que é necessário para ganharem o título de “pai é pai”. 

 

*Publicado em Público

 

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