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O problema de Portugal é a falta de especialização. Um século depois, tenho a sensação de que nada se aprendeu com Henry Ford. Não falo da especialização em termos de metodologia de trabalho, nem em termos de mercado. Falo da verdadeira especialização, aquela que se poderia instituir logo à nascença. Falo de uma especialização que resolveria todos os nossos problemas. Poderíamos dizer adeus à Troika e deixar de vender as nossas empresas. Poderíamos ser o melhor país do mundo. Aquele país onde toda a gente gostaria de crescer, viver, ter filhos e envelhecer. Já temos o sol, só falta o resto.

 

Para Portugal pertencer ao top dos países mais desenvolvidos do mundo, as mulheres portuguesas têm de se decidir. Devia ser como na escola quando se termina o 9.º ano. Oh miúdo, queres humanidades ou ciências? Oh mulher, queres ter um emprego ou ter filhos? Ou uma coisa ou outra. Há que deixar de acumular privilégios. *Esta máxima só se aplica ao sexo feminino. Eles podem ter dois empregos, vários filhos, dois, três, os que quiserem.

 

Não podemos pedir às empresas ou ao estado social para suportar todos os incómodos associados à gravidez, pós-parto, febres e constipações da criançada. O estado tem mais onde gastar os escassos recursos e, portanto, é preciso concentrar as despesas no mais importante. E o mais importante não são as crianças. O saldo natural negativo é facilmente revertido pela imigração. Por sua vez, as empresas para serem competitivas não podem contratar mulheres, a menos que estas não queiram ter filhos. Não é nada contra as mulheres, atenção. É contra as mães, apenas.

 

É sabido que a responsabilidade por conceber, parir, criar e educar uma criança é exclusiva das mulheres. Portanto, elas têm de arcar com as respectivas consequências. Os homens não querem ter filhos. O instinto é maternal por definição e o homem é um ser racional. Criaturas em miniatura aos pulos pelos pela casa, oh pai, oh pai, dói-me a barriga. Não, não é isso que os homens querem. Não foi para isso que eles frequentaram a universidade e pagaram a pós-graduação em economia. Eu sei que há vários estudos, de sociologia e afins, a afirmar que, tal como as mulheres, os homens desejam ter filhos e, para eles, ser pai é uma dimensão fundamental da realização pessoal. Mas devem estar errados. A culpa é das mulheres e só delas.

 

A minha proposta é lançar um plano nacional de referenciação das mulheres em idade fértil. Identificar e classificar, através de um questionário minucioso, aquelas que querem ter filhos para depois divulgar a lista por todas as entidades patronais a recrutar trabalhadores no momento. A lista deveria estar disponível para consulta na Internet e ser de fácil acesso. Isto para quê? Para evitar que sejam as próprias empresas a ter de questionar as mulheres no momento da entrevista. As mulheres, sob pressão, podem mentir e dizer que não. Ah filhos, não, eu não, nunca, jamais. Filhos é para quem não tem ambições de carreira, brio profissional e eu não sou desse tipo de mulher. São conhecidas, e de louvar, as iniciativas de algumas empresas que colocam por escrito este tipo de “acordos”, mas mesmo assim, as mulheres assinam sem remorsos, mesmo quando lá no fundo sabem que ter filhos está para breve.

 

As vantagens de um plano nacional deste tipo são inúmeras, principalmente se tiver implicações legais. Imaginem, penalizações no IRS para as mulheres que afirmaram não querer ser mães e nem dois anos depois aparecem grávidas na empresa que as contratou. Golpes de traição deste tipo devem ser punidos e tornados públicos. A mulher em questão deveria ser impedida de entrar nas instalações da empresa aos primeiros sinais da gravidez. E porque não penalizar, também, os homens que queiram engravidar uma mulher profissionalmente activa? Uma medida deste tipo colocar-nos-ia, sem margem para dúvidas, na crista da onda da modernidade e do desenvolvimento civilizacional.

 

Eu sei que este governo, os anteriores e os próximos, são conhecedores profundos da natureza humana, do país que governam, dos homens e das mulheres. Dos desejos e anseios pessoais e profissionais da sua população. Chamem-me ingénua, mas acredito igualmente que esta crónica será um ponto de partida. Um momento de inversão naquilo que tem acontecido. Não podemos permitir que as mulheres continuem a trabalhar e a ter filhos. Querem ser modernas, trabalhar? Pois bem, façam-no, mas não ousem engravidar.

 

* Crónica publicada no Público

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