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Eu gosto da Beatriz Gosta e muito. Vê-la e ouvi-la arranca-me gargalhadas profundas das entranhas, daquelas que trabalham os abdominais e fazem doer a barriga no dia a seguir. Há muito tempo que eu aguardava pela Beatriz, como uma necessidade por satisfazer, um espaço por preencher, uma gargalhada abafada que precisava de sair cá para fora de modo bem estridente.

 

A dominação masculina faz-se sentir nas várias dimensões da vida em sociedade e com diferentes intensidades. As instituições militares são um exemplo de uma dimensão tradicional, muito masculinizada, na qual as mulheres começaram a entrar muito recentemente. Outras há em que, pelo contrário, as mulheres assumem o domínio, como a parentalidade. Basta observar a forma como o sistema judicial recusa sistematicamente e de forma cega a guarda das crianças aos pais que a requerem. Sim, tudo está a mudar, a mudança acontece a um ritmo cada vez mais desenfreado… Mas o retrato actual é este, com todas as matizes e degradês que se possam imaginar.  

 

A sexualidade das mulheres e os discursos sobre a sexualidade feminina remetem para uma esfera da sociedade cheia de matizes e degradês. Por um lado, as práticas e valores das mulheres aproximam-se cada vez mais das dos homens. A ideia da virgindade feminina como algo que deve ser preservado até ao infinito é, hoje, algo que apenas se encontra nos antiquários. Elas, tal como eles, iniciam-se sexualmente durante a juventude e experimentam vários parceiros sexuais ao longo da vida. De resto, estas experiências são sentidas por uma maioria como algo saudável, normal e desejável. Por outro lado, as diferenças na forma como homens e mulheres vivem a sua sexualidade ainda são muitas. Não falta pornografia para homens, mas escasseia a que é feita para o público feminino. As feiras do sexo e salões eróticos são eventos pensados para os homens e deixam muito a desejar para a clientela feminina. Casas de striptease não faltam por este país a fora, mas em quantas se podem ver homens a tirar a roupinha? O imaginário colectivo continua a enaltecer os homens pela sua voracidade sexual e a ser mais penalizador para as mulheres com iguais apetites.

 

A Beatriz Gosta veio trazer cor a este cenário acinzentado, dando voz a muitas mulheres que vivem a sua sexualidade de forma descomprometida. Já era tempo de ouvirmos uma mulher a fazer humor desta forma, trazendo os desejos, aventuras e desventuras femininos para o centro de um discurso inteligente, divertido e feminista.

 

Ainda não conhece a Beatriz Gosta? Hello!? 

 

Publicado em Público

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