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Se me mandassem fazer uma composição sobre a Primavera, como acontecia na escola primária, hoje escreveria algo completamente diferente. Assistir à renovação da natureza é bom e enche-me o coração, claro, mas outras mudanças despertam a minha curiosidade e interesse. Outro fenómeno, que não este, tem lugar por esta altura do ano.

 

Na Primavera as ruas enchem-se de flores e pólens, obviamente, mas também de publicidade a biquínis exibidos por corpos extremamente magros, tonificados e bronzeados. Antecipando a época balnear que se aproxima a grande velocidade (escrevo sob 30 graus Celsius), algumas mulheres entram em pânico dando início a um período de dieta, exercício físico intenso e sacrifícios vários. Atenção, este não é um comportamento exclusivamente feminino, mas nesta crónica é sobre elas que eu quero falar. O pânico desencadeia cinco reacções possíveis, nalguns casos observam-se em simultâneo.

 

Reacção 1
Banem-se os hidratos de carbono da alimentação, principalmente a maldita batata frita, os doces e as carnes vermelhas. As sobremesas são completamente proibidas. Rejeita-se qualquer espécie de snack com mais de 50 calorias. Algumas frutas, como a banana, são igualmente eliminadas da dieta alimentar, a menos que combinadas com a ida ao ginásio. Oiço conversas que me soam algo absurdas. “Abacate, nem pensar. Muito gordo. Maçã, cuidado que abre o apetite. Com fome? Bebe água gelada que isso passa.” As montras das livrarias mostram o último best-seller da dieta de Hollywood, em cuja capa se pode ler a promessa de ajudar a perder dez quilos em duas semanas … Ou seja, passa-se fome.

 

Reacção 2
Além da dieta hipocalórica, as mesmas mulheres começam a comprar compulsivamente cremes redutores, cremes anti-celulite e similares. Besuntam-se repetidamente com eles sobretudo nas coxas e abdómen e aguardam os resultados com uma boa dose de fé. Algumas nunca chegam a ver os tais resultados, outras sim. Para além dos cremes, investe-se tempo e dinheiro em electroestimulação, endermologia, freeze, mesoterapia, termoterapia, ondas de choque acústicas, envolvimento em algas e outras mil e uma alternativas disponíveis na clínica da esquina. Também há quem opte por tratamentos mais invasivos que envolvem cirurgia estética, por exemplo, mas isso não é para todos os bolsos (ou abdómens…).

 

Reacção 3
As idas ao ginásio são recuperadas ou intensificadas. O mesmo acontece com as corridas e a natação. Controlam-se as calorias gastas. Durante uns meses, usam-se as escadas em vez do elevador.

 

Reacção 4

Ingerem-se quantidades significativas de batidos e chás que favorecem a drenagem e eliminação de toxinas e gorduras acumuladas no corpo.

 

Reacção 5
Esta é a menos frequente, afectando mais do que uma em 10.000 e menos do que uma em 1000 mulheres. Trata-se da ingestão de vitaminas e suplementos que promovem e ajudam a preservar o bronzeado. Carotenoides, betacaroteno, vitamina C, vitamina A, etc. etc. etc.

 

Enfim, uma grande quantidade de dinheiro e tempo são investidos na transformação do corpo. Tudo é válido desde que ajude o corpo a ficar um pouco parecido com o da foto da publicidade ao biquíni do padrão exótico. 

 

*Publicado em Público

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2 comentários

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De Cláudia Dias a 20.05.2015 às 11:26

Gostei da forma como expuseste este tópico quase sem dar a tua opinião, de forma directa e concisa, constatando factos.

É verdade, todos os dias somos bombardeadas com imagens de publicidade a deixarem a pergunta, retórica, no ar: "já está pronta para a praia?" junto da imagem de uma mulher que pesa 50 Kg e tem um rabo perfeito.

Estas reacções que surgem com a chegada do tempo quente, para mim, fazem tanto sentido como a solidariedade no natal: enquanto for periódico, não tem resultados a longo-prazo! E até pode ser benéfico naquele momento, mas no resto do ano não vale deixar de ter cuidado porque é inverno, nem deixar de ajudar as crianças pobres, porque elas continuam lá.

Estas coisas devem ser feitas sempre ao longo do ano. Mas sobretudo acho que não há dietas milagre para ninguém nem toda a gente; cada pessoa encontra as suas próprias estratégias. que são diferentes para cada um(a). Eu, por exemplo, que não quero ficar obesa mas também não faço questão de ser magra (até porque não está nos meus genes), contento-me com uma caminhada de 15 min a pé todas as manhãs até à estação de comboio, natação ao fim-de-semana pois é quando tenho tempo, chá verde para ir bebendo durante o dia, e controlar o açúcar. mas vou deixar de comer o que gosto (moderadamente)? não! vou passar fome? não! é como eu digo...prefiro estar "gorda" na praia mas estar satisfeita do que andar a contar calorias e nutrientes e os gramas de gordura que tem o iogurte, porque, epa, para além de ser exagerado (na minha opinião) é psicologicamente desgastante! de que vale ter o corpo do anúncio mas não se estar bem mentalmente?

Enfim, mas hoje em dia somos constantemente bombardeados com estas questões, isto engorda, isto emagrece, isto aumenta o metabolismo, bla bla bla...claro que uma pessoa deve sempre ter cuidado com a saúde, mas o que se verifica hoje em dia roça no exagero!
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De super mulher a 20.05.2015 às 22:01

Cláudia, também me parece que a melhor postura é o meio termo.

Eu também tenho alguns cuidados com o corpo, mas a minha rotina não gira em torno das calorias.

Haja bom senso :)

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