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Cristiano Ronaldo

Há umas semanas fui consultada por uma revista de moda para falar sobre os spornossexuais. Sporn… quê? Desconhecia a espécie e fui rapidamente investigar, não tivesse a humanidade passado para uma nova fase da evolução e eu sem dar conta. Coisas que podem acontecer a quem anda distraído com a vida.

 

Depois de o jornalista Mark Simpson inventar os metrossexuais, levantaram-se recentemente rumores que apontam para o surgimento de um novo tipo de homem. Os spornossexuais. Segundo dizem, traços gerais, trata-se de homens muitos musculados, vaidosos, egocêntricos, obcecados com a imagem até. Mas também, eventualmente, homens em crise. Ora, numa perspectiva darwinista não se pode assumir que o termo spornossexual traduza uma evolução em termos dos cuidados masculinos, como se especula. Muitos homens não correspondem a este perfil e o futuro pode trazer modas que vêm contrariar as actuais tendências. Por exemplo, no caso das mulheres são muitas as pessoas que actualmente contestam o ideal de magreza e nunca se sabe se a máxima “gordura é formosura” não vai voltar a estar na moda. Isso apenas o futuro o dirá, que de futurologia não percebo nada.

 

É verdade que nas sociedades ocidentais a indústria dos serviços e bens de consumo para o corpo é incomensuravelmente maior do que há algumas décadas. Também a melhoria generalizada das condições de vida tem permitido um aumento deste tipo de cuidados. Resta saber se os comportamentos promoveram o desenvolvimento da indústria ou se o desenvolvimento da indústria, marketing e publicidade levou as pessoas a ter mais cuidados com o seu corpo. De qualquer modo parece-me que não se pode falar de nova "tendência" em termos absolutos. Por um lado, o cultivo dos músculos é desde há muito tempo um traço típico da masculinidade. Por outro lado, o modelo do corpo masculino musculado é um entre muitos outros. São muitos os homens que rejeitam o modelo do corpo masculino musculado, preferindo um corpo tonificado mas pouco volumoso. Esta ideia está sobretudo associada a homens que vêem nos músculos o símbolo de uma masculinidade mais tradicional e ultrapassada, associada ao trabalho manual, à qual não se querem associar.

 

Estes termos surgem frequentemente pela mão de jornalistas ou marketeers que desejam nomear a realidade que analisam. Isso não quer dizer que as pessoas se identifiquem com eles. Muitos dos homens que correspondem ao que, nos media, se entendia como um metrossexual não se identificam com a categoria. Ou porque não se revêem no que é dito sobre o assunto, ou porque rejeitam qualquer tipo de rótulo só porque têm determinados cuidados com o corpo. Alguns argumentam que para as mulheres não existe nenhum termo equivalente e, portanto, não reconhecem qualquer sentido a um termo deste género para nomear os homens. Outros, ainda, entendem este tipo de designações como palavras que na verdade querem dizer homossexual.

 

Não é raro os cuidados com o corpo e a aparência serem confundidos como um sinal de uma determinada orientação sexual. Ora, nem todos os homossexuais são homens que se preocupam muito com o corpo, nem os homens que se cuidam são necessariamente homossexuais. Aliás, são muitos os que têm cuidados com o corpo para se manterem jovens e atraentes para as mulheres. Trata-se de homens heterossexuais que consideram o corpo um triunfo no jogo da sedução.

 

Quanto à evolução, com mais músculo ou com menos pêlo, o que é certo é que o homo sapiens ainda não encontrou substituto.

 

* Crónica publicada no Público

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