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Duarte nasceu e viveu toda a adolescência dentro do castelo. A mãe rainha e o pai rei tinham receio do que lhe pudesse acontecer fora das muralhas e fizeram de tudo para o proteger. Os professores iam dar-lhe aulas na torre maior. Foi aí que aprendeu inglês e mandarim por questões estratégicas do reino. Teve aulas particulares de representação, natação, viola, esgrima… Tornou-se um príncipe culto, fisicamente ágil e robusto. Como não frequentou a escola, os filhos dos empregados eram os seus melhores amigos.

 

Ao completar 18 anos foi organizado um baile em sua honra. Estava na altura de casar e o baile serviria para lhe escolher uma noiva. Foram enviados convites para todos os reinos vizinhos e no total compareceram três centenas de pessoas. O Duarte estava lindo nesse dia, mas a sua expressão facial não podia revelar maior tristeza. A mãe rainha apresentou-lhe pessoalmente duas ou três meninas de sangue azul da sua eleição. De lágrimas nos olhos, Duarte dançou toda a noite com as candidatas. Não conseguia disfarçar a tristeza e o incómodo.

 

O príncipe estava há muito apaixonado por Francisco, o filho do mordomo principal. Francisco era um rapaz forte e doce, muito perspicaz e com um sentido de humor extraordinário. Os olhos de um azul profundo hipnotizaram o Duarte para sempre. O Francisco fazia-o feliz.

 

Quando o baile terminou Duarte sentiu que chegara o momento de contar toda a verdade aos pais. Apesar de antecipar o sofrimento que lhes ia causar, não podia continuar a adiar esta conversa e fê-lo com Francisco presente.

 

“Mãe, pai, eu e o Francisco amamo-nos e queremos ficar juntos, constituir família. Se eu chegar a ser rei desta terra é o Francisco que estará ao meu lado.”

 

A mãe rainha teve uma quebra de tensão e desmaiou. O pai deu-lhe uma bofetada estridente e começou a gritar ordens. O mordomo foi despedido e o Francisco expulso do reino. Seguiram-se meses de amargura. Duarte recusava-se a sair do quarto. Emagreceu cinco quilos em poucas semanas. O rei e a rainha começaram a questionar a sua decisão, no entanto, temiam a reacção dos demais reinos. Tinham receio de que um rei homossexual – era assim que Duarte seria conhecido – poderia colocar a credibilidade e independência do reino em xeque. A avaliação das agências de rating iria com certeza cair a pique… O reino chegaria a lixo…

 

Exactamente um ano depois Duarte decidiu enfrentar novamente os pais e renunciar ao seu título. Não herdaria o trono caso não aceitassem o seu amor por Francisco e essa condição era irrevogável. Nesse momento, os reis deram-se conta do erro que estavam a cometer. O casamento aconteceu dia 1 de Abril de 1900, tendo a festa durado sete dias. Duarte e Francisco viveram felizes para sempre, com as dez crianças órfãs que adoptaram em conjunto.

 

* Publicado em Público

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4 comentários

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De Rui Moreira a 08.04.2016 às 23:54

Eu ando há muito tempo a evitar vir aqui porque já sei que me vou chatear com as ideias pseudo-feministas bacocas que a autora deste blogue habitualmente nos tenta impingir, mas este conto de fadas gay é mesmo de quem não tem nada para dizer. O que mais me surpreende em tudo isto não é o blogue em si, porque esse qualquer um pode ter, mas sim o facto de um jornal como o Público, que eu tinha como sério e competente, se dê ao despudor de publicar assiduamente os artigos desta autora. Não admira que esteja "às moscas" no que concerne a comentários...
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De rosa a 11.04.2016 às 11:40

Muitos parabéns pelo blog e por todo o seu trabalho, Elisabete!
Fazem falta vozes livres e feministas como a sua em todos os meios de comunicação no nosso país
Muito obrigada pelo seu precioso e elegante contributo contra os preconceitos, a opressão e o medo que a desinformação propaga.
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De super mulher a 21.04.2016 às 23:25

Olá Rosa. Muito obrigada pelos elogios, fico muito contente :)
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De Anónimo a 22.04.2016 às 19:55

Bem pode agradecer os elogios da Rosa. Tendo em conta que um dos raros comentários femininos que lhe foram dirigidos no site do jornal Público foram precisamente de uma mulher que, sem papas na língua, lhe chama "feminista misândrica", "doente" e "extremista", aconselho-a a pedir a morada desta sua admiradora e a enviar-lhe um presente.

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