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As coisas nunca vão mudar! Há coisas que nunca mudam! De quando em quando há quem me atire uma destas afirmações à cara com ar triunfal, a propósito de uma discussão qualquer sobre homens e mulheres.

 

A mudança é algo que assusta muita gente. Pelo contrário, a tradição, a rotina dá-lhe conforto. A verdade é que, quando dominamos as regras do jogo, tudo funciona em piloto automático. Sabemos como nos devemos comportar e sabemos o que esperar dos outros. Por exemplo, há alguns anos, um empregado de mesa ao dar o vinho a provar a um casal de comensais sabia a quem se dirigir. O homem, mandava a tradição, escolhia e provava o vinho. Eventualmente bebia-o sozinho porque a mulher preferia água. Hoje já não é assim. O empregado já não consegue antecipar a quem se deve dirigir e, portanto, o habitual é perguntar. Neste caso, a tradição já não é o que era.

 

O uso deste tipo de argumentos, pronunciadores de um mundo que não muda, que não gira, que permanece, que se auto-preserva tal como está, serve muitas vezes de cuidado paliativo para quem sofre e vive atormentado com todas as transformações sociais a que temos assistido. Mas poderão negar que a mudança é inevitável e imparável?

 

Podemos olhar para as mudanças nas relações de género como um copo meio cheio ou um copo meio vazio. A perspectiva com que olhamos para o que se passa à nossa volta pode efectivamente ser diferente, mas não podemos ignorar que o copo tem alguma água. O papel que as mulheres e os homens assumem nas sociedades ocidentais é cada vez mais semelhante e, em termos de igualdade de direitos, estamos melhor do que nunca. E a mudança não pára por aqui.

 

Perto de ter uma presidenta de um dos países mais poderosos do mundo, os EUA, o que pensarão aqueles que sempre julgaram que as mulheres não foram feitas para a política? Para quem viveu e morreu numa época em que elas não podiam sequer votar, esta possibilidade pareceria certamente inconcebível. Uma mulher na presidência dos Estados Unidos da América? Nunca! As coisas nunca vão mudar!

 

Cada vez mais homens reivindicam a guarda dos seus filhos, o usufruto das licenças de parentalidade, ou simplesmente a existência de fraldários nas casas de banho masculinas. Para quem considera que as mães são insubstituíveis e os homens incapazes de cuidar de uma criança, estas reivindicações causam bastante confusão. Homens em casa com os filhos e mulheres no trabalho? Não! Isso nunca vai acontecer! Boys will be boys? Não vamos ser ingénuos e acreditar que sim…

 

*Publicado em Público

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 *Obrigada à Ana Amaro por me dar a conhecer este vídeo!

 

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Há quem diga que, apesar de todas as mudanças sociais a que temos assistido em termos de identidades e papéis de género, as coisas nunca vão realmente mudar. 

 

Não será ingénuo pensar desta forma?

 

 Fonte: Público

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Eu gosto da Beatriz Gosta e muito. Vê-la e ouvi-la arranca-me gargalhadas profundas das entranhas, daquelas que trabalham os abdominais e fazem doer a barriga no dia a seguir. Há muito tempo que eu aguardava pela Beatriz, como uma necessidade por satisfazer, um espaço por preencher, uma gargalhada abafada que precisava de sair cá para fora de modo bem estridente.

 

A dominação masculina faz-se sentir nas várias dimensões da vida em sociedade e com diferentes intensidades. As instituições militares são um exemplo de uma dimensão tradicional, muito masculinizada, na qual as mulheres começaram a entrar muito recentemente. Outras há em que, pelo contrário, as mulheres assumem o domínio, como a parentalidade. Basta observar a forma como o sistema judicial recusa sistematicamente e de forma cega a guarda das crianças aos pais que a requerem. Sim, tudo está a mudar, a mudança acontece a um ritmo cada vez mais desenfreado… Mas o retrato actual é este, com todas as matizes e degradês que se possam imaginar.  

 

A sexualidade das mulheres e os discursos sobre a sexualidade feminina remetem para uma esfera da sociedade cheia de matizes e degradês. Por um lado, as práticas e valores das mulheres aproximam-se cada vez mais das dos homens. A ideia da virgindade feminina como algo que deve ser preservado até ao infinito é, hoje, algo que apenas se encontra nos antiquários. Elas, tal como eles, iniciam-se sexualmente durante a juventude e experimentam vários parceiros sexuais ao longo da vida. De resto, estas experiências são sentidas por uma maioria como algo saudável, normal e desejável. Por outro lado, as diferenças na forma como homens e mulheres vivem a sua sexualidade ainda são muitas. Não falta pornografia para homens, mas escasseia a que é feita para o público feminino. As feiras do sexo e salões eróticos são eventos pensados para os homens e deixam muito a desejar para a clientela feminina. Casas de striptease não faltam por este país a fora, mas em quantas se podem ver homens a tirar a roupinha? O imaginário colectivo continua a enaltecer os homens pela sua voracidade sexual e a ser mais penalizador para as mulheres com iguais apetites.

 

A Beatriz Gosta veio trazer cor a este cenário acinzentado, dando voz a muitas mulheres que vivem a sua sexualidade de forma descomprometida. Já era tempo de ouvirmos uma mulher a fazer humor desta forma, trazendo os desejos, aventuras e desventuras femininos para o centro de um discurso inteligente, divertido e feminista.

 

Ainda não conhece a Beatriz Gosta? Hello!? 

 

Publicado em Público

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As mulheres são fúteis, ocas, só se interessam por roupas, maquilhagem, novelas, cabelos e unhas. As mulheres são pessoas hiper-centradas no corpo e na beleza. As mulheres são manipuladoras, tentam enganar os outros para conseguir o que querem. As mulheres em cargos de chefia são piores do que os homens, tratam mal as pessoas e são muito autoritárias. As mulheres são interesseiras e procuram um homem que tenha dinheiro para lhes proporcionar o nível de vida que por elas próprias nunca conseguiriam atingir. As mulheres são intriguistas e coscuvilheiras. São falsas nos elogios que dão às outras mulheres porque, na verdade, são muito invejosas. As mulheres são histéricas e incapazes de manter o sangue frio perante uma situação complicada.

 

Estes e outros estereótipos fazem parte da nossa cultura. Não diria que todos nós comungamos deles, mas que estão entranhados na cabeça de muita gente é indesmentível. Ora, por oposição, e tendo por base estas ideias pré-concebidas, só podemos concluir que os homens são seres complexos e interessados por assuntos sérios. Os homens não ligam à aparência mas apenas ao culto do espírito e do intelecto. Os homens são sempre honestos com os que os rodeiam e não tentam enganar o próximo. Como chefes são cinco estrelas! Compreensivos com os seus colaboradores, sempre prontos a dar um reforço positivo, nunca levantam a voz ou tratam com desrespeito os seus subordinados. Jamais se ouve um homem falar mal de quem quer que seja. Homem que é homem não julga a vida alheia e não comenta o caso extra-conjugal do colega. A honestidade dos homens é inquestionável. Os homens não são invejosos como as mulheres, pelo contrário. Eles desejam o bem do próximo mais do que qualquer outra coisa. Os homens não perdem o temperamento. Não gritam. Não ralham. Se o fazem é porque têm razões para isso.

 

O que é que estes estereótipos nos ensinam?

 

Lição número 1: Hitler era uma mulher. O bigode era postiço, não se iludam.

 

Lição número 2: A Madre Teresa de Calcutá nasceu homem, sendo que a vestimenta de freira sempre ajudou no disfarce.

 

Lição número 3: desconfie sempre dos estereótipos.

 

*Publicado em MariaCapaz

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