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As últimas décadas trouxeram muitas mudanças na forma como homens e mulheres vivem as suas vidas. As mulheres adquiriram, pelo menos perante a lei, um estatuto idêntico ao dos homens. Ao contrário do que acontecia há escassas décadas, hoje uma mulher pode viajar para o estrangeiro sem a necessidade de uma autorização por parte do marido, só para dar um exemplo conhecido. No fundo, as mulheres conquistaram direitos pelos quais têm vindo a reclamar e continuarão a fazê-lo. Existem inclusivamente orientações políticas e linhas de financiamento público para projectos que visem promover a igualdade entre homens e mulheres.

 

E os homens? Como é que os homens têm vivido todas estas mudanças? Qual o papel dos homens nas actuais sociedades? Como têm eles lidado com a perda de poderes? O que mudou do seu lado? Sentir-se-ão ameaçados? Satisfeitos? Inseguros? (Demasiadas questões para uma crónica tão curta).

 

Falei com muitos homens sobre este assunto e percebi que alguns se sentem desiludidos e até revoltados com todas estas mudanças. Não compreendem e não conseguem lidar bem com a autodeterminação das mulheres, acusam-nas de serem demasiado competitivas no trabalho e pouco dedicadas nas relações amorosas, ao contrário do que acontecia no passado. Este é o caso de Adão, um jovem que se sente muito desiludido com as mulheres que tem conhecido. A última namorada não acedeu a abandonar a universidade para o seguir para o estrangeiro, com destino a um trabalho milionário, o que nunca teria acontecido no tempo dos seus pais, queixa-se. O sonho de Adão sempre foi o de ganhar o suficiente para conseguir sustentar uma grande família, permitindo à mulher ficar em casa a cuidar dos filhos. Nos dias de hoje esse sonho parece-lhe cada vez mais difícil de conseguir e isso deixa-o revoltado com as mulheres.

 

Ao contrário de Adão, muitos outros homens já não se reveem no papel de chefes de família ou provedores do lar. Procuram desenvolver relações mais paritárias. No entanto, para alguns essa tarefa levanta desafios e dúvidas existenciais. Rejeitam o modelo de masculinidade dos seus pais, mas não sabem exatamente que tipo de homem querem ser e, muito menos, que tipo de homem as mulheres procuram. Por exemplo, Filipe depois de algumas relações amorosas falhadas questiona-se, “É bom que o homem chore ou não? É bom que o homem seja sensível ou não?” Filipe sempre acreditou que estas suas características eram qualidades que as mulheres de hoje em dia procuram num homem, mas começou a ter dúvidas sobre isso…

 

Outros homens não só vivem bem este clima de maior paridade entre homens e mulheres, como procuram activamente contribuir para todas as mudanças a que temos assistido nos últimos anos. São homens que não sentem a sua masculinidade ameaçada se tiverem um salário inferior ao da sua companheira. São pais que, tal como qualquer mãe, ficam em casa quando os filhos adoecem. Enfim, são homens que estão na linha da frente da mudança social e seguram, ao lado de algumas mulheres, as rédeas do destino de todos nós.

 

*Publicado em Público

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