Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

 

 

 É com muito orgulho que anúncio a minha colaboração com o projecto Maria Capaz.

 

Congratulo as madrinhas da plataforma e espero contribuir para o seu sucesso.

 

Sempre fui mulher de arregaçar as mandar a novos desafios, e este é daqueles que me deixam com sorriso de orelha a orelha.

 

Espero que gostem do primeiro texto.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

Já fui alertada várias vezes para o “perigo” de ser apelidada de feminista. Já fui “acusada”, outras tantas, de ser feminista. Estes alertas ou acusações vêm normalmente da boca de quem considera, de algum modo, o feminismo como algo mau.

 

Cabem neste rótulo, segundo essas concepções, mulheres que querem ser superiores aos homens, mulheres amargas e obcecadas com todas as referências culturais de género, mulheres que querem ser iguais aos homens, imitando os seus comportamentos, mulheres que rejeitam todos os símbolos de feminilidade como, por exemplo, os cuidados com o corpo. Ou seja, mulheres que não se depilam, não se maquilham, não usam roupa justa, saias ou saltos altos.

 

Eu não sou esta feminista.

 

Sou uma feminista que olha atentamente para estas questões e tenta manter-se informada sobre o assunto. Sei que as últimas décadas trouxeram mudanças profundas no que diz respeito às relações entre homens e mulheres, em grande medida sustentadas pela entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho. O desempenho de uma profissão trouxe, efectivamente, autonomia, liberdade e poder de negociação (dentro e fora de casa) a muitas mulheres. Mas também sei que ao nível das desigualdades de género ainda há muita coisa a fazer, nomeadamente aumentar a representação das mulheres nos lugares de decisão, quer no mundo empresarial, quer nas instituições políticas.

 

Sou uma mulher, feminista, que sabe que a igualdade entre os sexos só pode ser pensada e conseguida se incluirmos os homens na equação. Por vários motivos. Porque os homens também sofrem as consequências do sistema em que vivemos, na medida em que, por exemplo, lhes é comummente negada a guarda dos seus filhos. Porque os homens não são os únicos perpetuadores da cultura patriarcal. Algumas mulheres também reproduzem os estereótipos que sustentam as desigualdades de género, como a ideia que elas são melhores na tarefa de criar e educar os filhos do que os pais. Porque, enfim, também existem homens feministas!

 

Sou uma feminista, imagine-se, que gosta de cozinhar, passar horas na cozinha a bebericar vinho e preparar um jantar para amigos ou a fazer panquecas e bolos para o namorado. Sou um pouco obcecada com a limpeza da casa, também. Sou vaidosa, gosto de comprar sapatos e acompanhar as tendências da moda.

 

Como se vê, as diferenças culturais entre homens e mulheres não me incomodam… aliás, sou fruto delas. Considero-me inclusivamente uma mulher, nalguns aspectos, bastante feminina. As desigualdades, por sua vez, chateiam-me e incomodam-me até ao osso, não fosse eu uma Maria Capaz.

 

*Publicado em MariaCapaz

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

Quando a Carolina nasceu, nem o Rui nem a Sandra sabiam muito bem o que fazer com a bebé. Tinham pavor de lhe dar banho. Tinham receio que parasse de respirar enquanto dormia. Ficavam muito aflitos quando chorava sem motivo aparente. Não sabiam se a deviam acordar para lhe dar o leite, ou esperar e respeitar o sono da Carolina. As teorias eram muitas e vinham de todo o lado. Médicos, amigos, familiares próximos, familiares afastados, desconhecidos até. Todos pareciam ter muitas certezas no que diz respeito à forma como os outros devem cuidar dos bebés.

 

Passada a ansiedade dos primeiros dias, Rui regressou ao trabalho a muito custo. Daria tudo por uma licença que lhe permitisse ficar mais umas semanas em casa ao lado de Sandra e do novo membro da família, a Carolina.

 

Sandra ficou em casa com uma licença de quatro meses. Durante esse tempo teve oportunidade de aprender tudo sobre bebés. Hoje, muda a fralda com uma mão se for preciso. Consegue identificar as causas dos diferentes tipos de choro com facilidade e agir em conformidade. Em cinco minutos dá banho e põe Carolina a dormir. A ocasião faz o ladrão, não é? Ou será o instinto maternal? Um pouco dos dois, talvez.

 

Este é o cenário mais típico aquando do nascimento de um filho e, como resultado, as mães depressa ficam especialistas em todo o tipo de cuidados e assistência a crianças. Para além disso, muitas frequentaram também um estágio intensivo quando eram crianças, no qual lhe foram fornecidos nenucos ou similares e uma variedade de acessórios para poderem praticar. Os pais, por sua vez, não tiveram direito a estágio e regra geral não lhes é dado tempo para aprenderam e igualarem a destreza das jovens mães.

 

Apesar das condições adversas, os homens das gerações mais jovens insistem em ser pais mais presentes. São homens focados em marcar a diferença face à educação distante e austera que receberam dos seus próprios pais. Fazem questão em acompanhar o crescimento dos filhos, saber prestar os cuidados básicos, levar ao médico, ajudar a fazer os trabalhos de casa, ir buscar à escola, preparar-lhes o lanche, comprar-lhes roupa…

 

Os estudos das mais variadas áreas são unânimes nesta matéria e apontam no mesmo sentido. No que diz respeito às questões de género, é na esfera da parentalidade que se observam as mudanças mais acentuadas. Os homens dos nossos dias envolvem-se mais na criação e educação dos filhos apesar de, em termos culturais, as mulheres continuarem a ser vistas como as principais responsáveis por estas tarefas. Há inclusivamente quem defenda que as mulheres têm aptidões inatas para cuidar das crianças que os homens não têm. Mas também há muitos homens que discordam disso.

 

Dois anos depois do nascimento de Carolina, Rui é tão capaz de cuidar da sua filha como a mãe. Orgulha-se da cumplicidade que desenvolveu com Carolina e congratula-se por isso. Não foi fácil. Rui recorda-se, por exemplo, de ir ao médico com a filha e de este insistir em falar apenas para a mulher, explicando-lhe como deveria administrar os medicamentos e ignorando a sua presença. Um vez chamou-o à atenção e, depois, mudou de médico. Agradece à Sandra o espaço que esta lhe deu para que também ele pudesse aprender a cuidar de Carolina. Hoje Rui é mais rápido nos banhos e a mãe imbatível a dar-lhe o jantar.

 

*Publicado em Público

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vergonha alheia

07.01.15

Vai Ana Vai, suscita em mim vários sentimentos e reacções. Vergonha alheia, gargalhadas e alguma irritação, são alguns exemplos.

 

Tantos anos de luta pela emancipação das mulheres para, em pleno século XXI, me aparecer uma Ana deste calibre!? Money money money? Ó Ana, vai trabalhar :)

 

 

Do outro lado do oceano temos a sua contemporânea Deize Tigrona, embora com um estilo bem diferente. Qual preferem?

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

Defender a igualdade de direitos entre homens e mulheres não significa desejar o fim das diferenças entre eles. Não significa desejar que cresçam pénis às mulheres e ovários aos homens. Não significa desejar que os homens comecem a maquilhar o rosto e as mulheres a deixar o buço crescer. Não significa desejar que as mulheres assumam todos os cargos de poder do mundo e que os homens fiquem relegados para a esfera doméstica, dedicando-se à arte dos doces e do tricot.

 

Aliás, eu não acredito que o mundo fosse melhor só pelo simples facto de termos mulheres a comandá-lo. Não acredito que as mulheres, em abstracto, sejam melhores pessoas ou mais capazes do que os homens. Haverá algumas intelectualmente excepcionais, fisicamente resistentes, artisticamente dotadas, e outras não, tal como acontece com os homens.

 

O que eu desejo, em termos de igualdade, é uma coisa bem diferente. Eu anseio pelo dia em que uma vagina no meio das pernas não seja constrangimento ou impedimento para seja o que for. E que os melhores ocupem os lugares decisivos na história da humanidade, homens ou mulheres pouco me importa. Se o presidente de um país usa ou não sutiã, não tem interesse. Se o/a CEO da maior multinacional à face da terra pode, ou não, gerar uma criança no seu ventre, isso nada dirá das suas competências e capacidade de liderança. O mesmo se pode dizer do líder espiritual de um povo.

 

Bem sei que muitas pessoas anunciam a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres como algo obsoleto, na medida em que consideram que isso já faz parte da realidade do séc. XXI. Quanto a mim, esse discurso é perigoso porque nega todos os problemas que as mulheres ocidentais enfrentam e vão continuar a enfrentar por esse 2015 a fora. Salários mais baixos do que os homens, sobrecarga de trabalho doméstico, dificuldade acrescida de progressão na carreira, violência doméstica

 

Do lado dos homens nem tudo são flores, desenganem-se. Pensar a igualdade entre os géneros implica, também, pensar o modo como os homens são negativamente afectados pelo sistema patriarcal. Por exemplo, em situações de confronto armado entre os países são os primeiros a morrer nos campos de batalha. Em caso de divórcio é-lhes muitas vezes recusada a guarda dos filhos pelo simples facto de serem homens. Em caso de sofrimento e depressão é-lhes socialmente negada a expressão de sentimentos. “Os meninos não choram”, é-lhes dito desde o dia em que nascem.

 

Creio que o futuro próximo não traz pénis para as mulheres e ovários para os homens, mas seguramente maior igualdade entre eles. A mudança está em curso e parece-me que é irreversível, para bem de todos.

 

*Publicado em Público

Autoria e outros dados (tags, etc)


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Janeiro 2015

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031